Auf Wiedersehen, Santana*


A Volkswagen anunciou no mês passado o fim de produção do veterano Santana. Prestes à completar 22 anos de mercado, o carro deixa uma carreira de sucesso e uma legião de fãs, entre eles, os taxistas. Desejado pela classe média alta no seu auge, o velho modelo chega ao seu fim como ultrapassado e inseguro.
A história do Santana começa com o Passat. Estranho, mas é verdade. O primeiro VW refrigerado a água no Brasil foi apenas a primeira geração do modelo que sobrevive até hoje. Em sua segunda geração, morre o fastback e nasce o sedã que ganhou o nome de Santana. Continuaram em produção o notchback, que manteve o nome Passat, e a perua Variant. O sedã perdeu o nome na Europa, sendo chamado também como o notch.


A segunda geração do Passat chega em versão notchback. O sedã ganhou o nome de Santana

Em 1984, chegam, no Brasil, o sedã e a inédita versão cupê, feita para agradar a moda local de carro duas portas. Aqui manteve a nomenclatura Santana para se diferenciar da primeira geração do Passat, como quem teve que conviver até 1989. A perua também veio, como Quantum, em 1985.


Nosso primeiro Santana na exclusiva versão cupê


Na Europa, Passat Variant, aqui, Santana Quantum. Depois, só Quantum

Inicialmente as versões eram CS, CG e CD. Todas traziam itens de luxo, para que o carro pudesse brigar de igual para igual com Del Rey, Monza e Opala, seus principais concorrentes. O motor era o 1.8 de 92 cv no álcool que agradava com aceleração de 0 a 100 km/h em 11,9 s. Dois anos depois, era substituído pelo conhecido AP 800 de 94 cv.
Em 1987 o Santana e a Quantum sofreram suas primeiras reestilizações. As versões agora eram C, CL, GL e GLS. A primeira era apenas com motor a álcool, câmbio de quatro marchas e nenhum opcional. Manteve o preço do CS para um carro bem mais pelado. As montadoras não são assim de hoje não.
O motor 2.0 chegou tardiamente em 1989. Ele trazia mais 18 cv de potência e 2,1 m.kgf de torque na versão a álcool, passando a 112 cv e 17,5 m.kgf. A velocidade máxima chegava a 187 km/h. O suficiente para brigar com Monza 2.0.


Em 1987, o primeiro face-lift. Milhas junto a grade, como no Europeu, era o grande destaque

Enquanto na Europa o Passat mudava de geração, a VW do Brasil dava um “tapa” visual no velho Santana para mantê-lo atual diante da invasão dos importados, assim como acontece com Astra, Golf e Vectra hoje em dia. Em 1991, uma ampla reforma foi feita seguindo os traços do modelo alemão. Foi essa a sua última época de auge. O Vectra B chegara em 1997 envelhecendo o Santana ao extremo quando já em início de decadência, passou por um leve face-lift em 1998, tentando atualizar seu desenho.


Depois de ampla reforma em 1991, o carro ainda era sonho de consumo e exemplo de luxo e status em 1995


Em 1998, sua última alteração na tentativa de enfrentar o recém-chegado Vectra B

E com essa cara, sobreviveu esses últimos oito anos agradando à taxistas e outros poucos entusiastas do modelo. O projeto antigo impossibilita alguns itens de segurança como air-bags e outras inovações. Para o seu lugar, a VW vende o sedã Bora, carro menor do que seu sucessor natural, o Passat de sétima geração que custa mais ou menos o dobro de um Santana. Triste fim de um campeão.

Lá fora – Como já mostrado, o Santana surgiu da versão sedã da segunda geração do Passat alemão. Além do Brasil e de seu continente de origem, o veterano foi vendido nos EUA, México, Japão e ainda é fabricado na China em duas versões. O curioso Santana “antigo” ainda com a cara de 1987 e o 3000, uma versão alongada e luxuosa, com o visual que tenta ser parecido com o Passat atual. Dizem que lá é um sucesso de vendas e aparece várias vezes inclusive em um comercial recente de TV filmado na China e passado para todo o mundo.


O nosso primeiro Santana ainda é fabricado na China


O Santana 3000 é uma tentativa de fazê-lo parecer com o Passat

Especiais – No Brasil, algumas séries especiais fizeram história. A Sport apareceu nas duas “gerações” com apelo esportivo e um visual que agradava muita gente. A mais lembrada é a EX, que trazia entre outros itens exclusivos, a injeção eletrônica. O protótipo Techno II trazia em 1985 itens inimagináveis para a época. Tração integral, freios a disco nas quatro rodas, motor 16v e até painel digital, item que só apareceria no rival Monza em 1990 em sua versão Classic.


Santana Techno II trazia itens que até hoje são oferecidos somente em carros de luxo


A série especial EX foi o primeiro Santana com injeção eletrônica e foi o mais caro também

Mais informações: Best Cars e Santana Fahrer Club

* Adeus Santana!

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