Revolução a Diesel

Os Audi R10 TDI passeiam, vitoriosos, por Le Mans: Marco na história das competições.

Ano de Copa, olhos e corações voltados para a Alemanha… a história das competições automobilísticas mudou e o mundo não percebeu: Neste domingo, mais precisamente ao meio-dia (horário de Brasília), a Audi conquistou uma vitória inédita e histórica na clássica prova das 24 horas de Le Mans, na França: Pela primeira vez na história das competições de pista, sobe ao lugar mais alto do pódio um modelo movido a diesel, o Audi R10 TDI.

O R10 TDI: Provando que os diesels podem ir além.

Nos últimos sete anos, a Audi venceu nada menos do que seis vezes a prestigiada prova, confirmando a supremacia nas competições de carros esporte (outrora já chamados de esporte-protótipos). Seu trono era cativo. No entanto, a marca alemã causou furor ao anunciar sua ousada decisão de competir na edição deste ano com um modelo movido a diesel. Apresentou, em dezembro de 2005, o R10 TDI, um bólido com motor V12 5,5 litros biturbo, construído inteiramente em alumínio, gerando 650 cavalos, disponíveis na sossegada faixa de 3000 a 5000rpm (o que proporciona grande durabilidade ao bloco) e um monstruoso torque máximo de 110kgf.m. Só como comparação, o V10 5 litros a gasolina do Pescarolo C60-Judd, segundo colocado na prova, grita alto a 8.500rpm para entregar seus 640cv de potência máxima ao piloto e seu torque máximo fica em 61kgf.m. O Projeto contou ainda com a participação – e patrocínio – da Shell, no desenvolvimento do combustível para a competição.

Uma invejável usina de força: 650cv e monstruosos 110kgf.m de torque…
Assim, neste fim-de-semana, aliada à excelência técnica e impressionante eficiência da equipe de pista, como nos rapidíssimos pit-stops (onde até transmissões inteiras são trocadas como num passe de mágica, em minutos, tornando mínimas as perdas de tempo de volta), a inovação venceu: o R10 TDI pilotado pelo Italiano Emanuelle Pirro e pelos alemães Frank Biela e Marco Werner venceu a prova com mais de quatro voltas sobre o segundo colocado, após percorrer 380 voltas perfazendo uma distância de quase 5.200km. A Audi ainda cravou um terceiro lugar, com outro R10 TDI, pilotado pelo Escocês Allan McNish.

A eficiência da equipe Audi sempre assustou as adversárias… este ano não foi diferente.

Os carros a diesel têm larga aceitação no mercado europeu e suas vendas chegam a superar as de modelos a gasolina em alguns países, como a Itália. Bom torque já a baixo giro, economia por km rodado e, no caso dos motores de última geração, menores emissões de gases nocivos à atmosfera são as principais virtudes destes propulsores, embora ainda sejam vistos com desconfiança pelos puristas e aficcionados por modelos esportivos. Antigamente vistos como lerdos ruidosos e fumacentos, os carros a diesel passaram por uma verdadeira revolução na última década: Novas tecnologias como a injeção eletrônica e de duto único (“common-rail”), blocos de liga leve e cabeçotes multiválvulas ajudaram a tornar os motores diesel menos ruidosos e reduzir – e muito – seus níveis de emissões, sem no entanto perder as já citadas características de torque, potência e economia. Assim, chegaram também a modelos de luxo e esportivos, quebrando tabus e conquistando ainda mais compradores. A marca tcheca Skoda (pertencente ao grupo VW), por exemplo, tem lançado versões esportivas de seus modelos exclusivamente movidas a diesel.

Fabia vRS: O pequeno esportivo da Skoda só vem a diesel.
Alguns motores tornaram-se célebres, como o V10 turbo de mais de 300 cavalos do grupo VW, que pode ser encontrado em modelos de prestígio como VW Phaeton e Touareg e Audi Q7 e A8. Há quem diga que ele ainda chega ao cofre do Porsche Cayenne, gêmeo mecânico de Touareg e Q7, inaugurando a era diesel na casa de Stuttgart, independente da convulsão social que isso venha a causar… Além disso, é sabido que já são testadas pela Europa unidades do puro-sangue Lamborghini Gallardo com este propulsor, o que faz total sentido, sendo a marca italiana de propriedade do grupo VW e estando atualmente sob a tutela justamente da… Audi. corre a boca pequena que o lançamento só depende de como a Lamborghini vai transpor o abismo de mais de 190cv que separa o V10 a gasolina atualmente usado do propulsor a diesel, além de escalonar melhor a oferta de potência e torque nas variadas faixas de giro. Recalibrar o turbo (ou dar-lhe um irmão) parece ser a solução lógica. Veremos até onde os diesels chegarão. Com a vitória do Audi R10 TDI em Le Mans, certamente uma das últimas fronteiras (a da esportividade) foi ultrapassada.

Bem… certamente eles não chegam ao Brasil, que depende economicamente do transporte rodoviário. Por esse motivo, o diesel é subsidiado no país, o que alegadamente inviabilizaria seu uso em modelos de passeio, por problemas de demanda, ficando o mesmo restrito por lei a utilitários. Em outros países do cone sul, no entanto, os carros de passeio a diesel são permitidos, e muito populares, razão pela qual grande parte dos modelos fabricados no Brasil conta com versões a diesel destinadas exclusivamente à exportação. Quem sabe um dia…

com informações da Quattroruote e Audi
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