Chineses com Sangue Latino

Tidos como grande ameaça às montadoras instaladas no Brasil, os automóveis chineses começam a avançar em direção à América do Sul, mais precisamente via Uruguai, de onde nascerão os primeiros “chinos”. Confirmada a intenção em novembro do ano passado, a Chery Automobile começará a produzir em território latino-americano em breve e chegará ao Brasil com preços atraentes. Isso por conta das vantagens tarifárias oferecidas pelo Mercosul bem como outras que veremos adiante.

Em sua primeira experiência fora do território chinês, a Chery iniciará suas atividades em sociedade com o grupo argentino Socma (Sociedad Macri). Esse grupo é liderado pelo empresário Franco Macri, bastante conhecido no país vizinho e que esteve envolvido nas operações da Sevel tanto na Argentina como no Uruguai entre os anos oitenta e parte dos noventa. O capital acionário de nova sociedade é constituído em 51% pela Chery e 49% pelo grupo Socma.

Para a empreitada, serão investidos 100 milhões de dólares, orientando esforços para abastecer preferencialmente à demanda de Brasil e Argentina. O plano de introdução da montadora asiática propõe a produção de cerca de 25 mil veículos, sendo esta a capacidade anual da fábrica em Montevidéu, de propriedade de Macri e alguns sócios. É a mesma fábrica que nos anos 80 e 90 produziu sob a bandeira da Sevel veículos como Uno, Duna e Peugeot 505. Desses 25 mil veículos anunciados, 10 mil serão do utilitário-esportivo Tiggo que poderá ser comercializado por cerca de R$ 50 mil, ficando o restante para o pequeno QQ ao qual estima-se preço abaixo dos R$ 15 mil. Em prol da lucratividade, considerando-se a aceitação do público e um volume de produção ainda baixo, os preços poderão ser maiores do que estes, mas certamente menores que os da concorrência. O início da produção está previsto para maio, sendo que os modelos deverão estar disponíveis ao consumidor somente no segundo semestre deste ano. A princípio a produção será pequena, mas Franco Macri espera inaugurar uma segunda fábrica na Argentina com capacidade para produzir 100 mil veículos ao ano. Especula-se que o Brasil estaria no páreo para receber a fábrica.

A Chery-Socma pretende importar grande quantidade de peças de origem chinesa, aproveitando algumas preferências tarifárias que o Uruguai possui por ter um desenvolvimento econômico-estrutural menor que outros países do Mercosul (como Brasil e Argentina), e permitem que o índice de nacionalização de veículos seja de 30% no primeiro ano de produção, progredindo a 50% em até cinco anos. Diferentemente das regras gerais do Mercosul, em que o índice de nacionalização dos veículos é de 40% no primeiro ano, 50% no segundo e 60% no terceiro. Portanto, peças e componentes virão por preços menores e em maior número da China, conforme os índices propostos, enquanto que para o restante, virão de fornecedores do Brasil e da Argentina.

Tiggo – Ao contrário do que alguns pensam, o SUV chinês não é exatamente um clone da geração anterior do Honda CR-V. A semelhança com o jipe da Honda está evidenciada nos faróis e nos contornos gerais de sua área frontal, mas o habitáculo assim como a traseira se assemelham bastante ao Toyota Rav-4, também em sua geração anterior (ver comparação, abaixo). Segundo pretensões da Chery, o Tiggo viria para brigar em preço com o EcoSport e veículos similares. As medidas são muito próximas às do jipinho da Ford, com 4,28 m de comprimento, 1,76 m de largura, 1,71 m de altura e 2,51 m de distância entre-eixos.

Fotogaleria – Abaixo, imagens do QQ e do Tiggo (tam.1024×768):



Texto com informações do jornal O Estado de São Paulo.

Referência Anterior (15 de maio de 2006):
Brasil: De portas abertas para os automóveis chineses

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