Archive for the ‘Audi’ Category

Revolução a Diesel

junho 20, 2006

Os Audi R10 TDI passeiam, vitoriosos, por Le Mans: Marco na história das competições.

Ano de Copa, olhos e corações voltados para a Alemanha… a história das competições automobilísticas mudou e o mundo não percebeu: Neste domingo, mais precisamente ao meio-dia (horário de Brasília), a Audi conquistou uma vitória inédita e histórica na clássica prova das 24 horas de Le Mans, na França: Pela primeira vez na história das competições de pista, sobe ao lugar mais alto do pódio um modelo movido a diesel, o Audi R10 TDI.

O R10 TDI: Provando que os diesels podem ir além.

Nos últimos sete anos, a Audi venceu nada menos do que seis vezes a prestigiada prova, confirmando a supremacia nas competições de carros esporte (outrora já chamados de esporte-protótipos). Seu trono era cativo. No entanto, a marca alemã causou furor ao anunciar sua ousada decisão de competir na edição deste ano com um modelo movido a diesel. Apresentou, em dezembro de 2005, o R10 TDI, um bólido com motor V12 5,5 litros biturbo, construído inteiramente em alumínio, gerando 650 cavalos, disponíveis na sossegada faixa de 3000 a 5000rpm (o que proporciona grande durabilidade ao bloco) e um monstruoso torque máximo de 110kgf.m. Só como comparação, o V10 5 litros a gasolina do Pescarolo C60-Judd, segundo colocado na prova, grita alto a 8.500rpm para entregar seus 640cv de potência máxima ao piloto e seu torque máximo fica em 61kgf.m. O Projeto contou ainda com a participação – e patrocínio – da Shell, no desenvolvimento do combustível para a competição.

Uma invejável usina de força: 650cv e monstruosos 110kgf.m de torque…
Assim, neste fim-de-semana, aliada à excelência técnica e impressionante eficiência da equipe de pista, como nos rapidíssimos pit-stops (onde até transmissões inteiras são trocadas como num passe de mágica, em minutos, tornando mínimas as perdas de tempo de volta), a inovação venceu: o R10 TDI pilotado pelo Italiano Emanuelle Pirro e pelos alemães Frank Biela e Marco Werner venceu a prova com mais de quatro voltas sobre o segundo colocado, após percorrer 380 voltas perfazendo uma distância de quase 5.200km. A Audi ainda cravou um terceiro lugar, com outro R10 TDI, pilotado pelo Escocês Allan McNish.

A eficiência da equipe Audi sempre assustou as adversárias… este ano não foi diferente.

Os carros a diesel têm larga aceitação no mercado europeu e suas vendas chegam a superar as de modelos a gasolina em alguns países, como a Itália. Bom torque já a baixo giro, economia por km rodado e, no caso dos motores de última geração, menores emissões de gases nocivos à atmosfera são as principais virtudes destes propulsores, embora ainda sejam vistos com desconfiança pelos puristas e aficcionados por modelos esportivos. Antigamente vistos como lerdos ruidosos e fumacentos, os carros a diesel passaram por uma verdadeira revolução na última década: Novas tecnologias como a injeção eletrônica e de duto único (“common-rail”), blocos de liga leve e cabeçotes multiválvulas ajudaram a tornar os motores diesel menos ruidosos e reduzir – e muito – seus níveis de emissões, sem no entanto perder as já citadas características de torque, potência e economia. Assim, chegaram também a modelos de luxo e esportivos, quebrando tabus e conquistando ainda mais compradores. A marca tcheca Skoda (pertencente ao grupo VW), por exemplo, tem lançado versões esportivas de seus modelos exclusivamente movidas a diesel.

Fabia vRS: O pequeno esportivo da Skoda só vem a diesel.
Alguns motores tornaram-se célebres, como o V10 turbo de mais de 300 cavalos do grupo VW, que pode ser encontrado em modelos de prestígio como VW Phaeton e Touareg e Audi Q7 e A8. Há quem diga que ele ainda chega ao cofre do Porsche Cayenne, gêmeo mecânico de Touareg e Q7, inaugurando a era diesel na casa de Stuttgart, independente da convulsão social que isso venha a causar… Além disso, é sabido que já são testadas pela Europa unidades do puro-sangue Lamborghini Gallardo com este propulsor, o que faz total sentido, sendo a marca italiana de propriedade do grupo VW e estando atualmente sob a tutela justamente da… Audi. corre a boca pequena que o lançamento só depende de como a Lamborghini vai transpor o abismo de mais de 190cv que separa o V10 a gasolina atualmente usado do propulsor a diesel, além de escalonar melhor a oferta de potência e torque nas variadas faixas de giro. Recalibrar o turbo (ou dar-lhe um irmão) parece ser a solução lógica. Veremos até onde os diesels chegarão. Com a vitória do Audi R10 TDI em Le Mans, certamente uma das últimas fronteiras (a da esportividade) foi ultrapassada.

Bem… certamente eles não chegam ao Brasil, que depende economicamente do transporte rodoviário. Por esse motivo, o diesel é subsidiado no país, o que alegadamente inviabilizaria seu uso em modelos de passeio, por problemas de demanda, ficando o mesmo restrito por lei a utilitários. Em outros países do cone sul, no entanto, os carros de passeio a diesel são permitidos, e muito populares, razão pela qual grande parte dos modelos fabricados no Brasil conta com versões a diesel destinadas exclusivamente à exportação. Quem sabe um dia…

com informações da Quattroruote e Audi
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Audi TT 2007: cuidadosa releitura de um clássico

abril 9, 2006
Depois de longa espera, chega um dos mais aguardados lançamentos do ano: O novo Audi TT, já como modelo 2007. Com ele, a Audi relê um de seus clássicos absolutos, modelo que causou furor quando de seu lançamento em 1998, devido ao indeditismo e personalidade de suas linhas, além do comportamento dinâmico exemplar. Embora ainda belo e atual, era hora de colocá-lo em sintonia com a nova linha de design adotada pela marca e manter o modelo competitivo frente a lançamentos bem-sucedidos no segmento, como o aclamado Nissan 350Z. E a Audi o faz com maestria, diga-se de passagem.

Quando do lançamento do novoVW Golf, especulações sobre a atualização da longa lista de modelos que utilizam sua plataforma (que inclui o TT) começaram a correr. Veio a pergunta: seria possível atualizar um clássico sem macular sua essência? Sendo o design dos Audi da nova geração um tanto polêmico (em especial a grade “boca-de-bagre”, nova marca registrada, objeto de constante discussão entre os admiradores), a expectativa transformou-se em apreensão, que por sua vez virou quase desespero quando da apresentação do conceito Shooting Brake, no salão de Tóquio do ano passado, uma bizarra reinterpretação das wagons esportivas construídas por marcas inglesas nos anos 60 e que, dizia-se, poderia dar a tônica da nova geração do TT. A reação não foi das melhores e se ela teve influência ou não no que vemos agora, é difícil saber.


O fato é que a Audi respondeu à altura da curta mas importante história de seu coupé esportivo e o resultado é dos melhores: O novo TT, ainda que não cause o impacto da primeira geração, mantém vivo o conceito do carro original, reverencia suas linhas e ao mesmo tempo mantém-se em sintonia com a evolução do design da marca. A própria grade dianteira foi “amenizada”, sendo mais baixa, escura e menos protuberante. Os faróis baixos e afilados conferem maior agressividade à dianteira do que na geração anterior.

Na traseira, com boa proporção do conjunto ótico, há traços de outros recentes lançamentos da marca. A pequena asa traseira (antes fixa e, poucos lembram, adicionada “às pressas” pela Audi após problemas de perda de aderência que ocasionaram alguns acidentes com a versão antiga) agora é dinâmica, como nos Porsche, erguendo-se a 120 km/h. As laterais, lisas no modelo anterior, são agora marcadas por vincos mais pronunciados, que também acentuam a esportividade, conferindo dinamismo ao desenho do carro (é daqueles modelos que têm um certo “movimento”, mesmo quando observados parados).


Arquitetura de interiores é com a Audi: com materiais de primeiríssima e esmero impressionante dos detalhes, o interior é, sem dúvida, belíssimo, mas deixa um pouco a desejar em termos de esportividade: A sensação se assemelha à que se tem frente aos painéis de outros modelos da marca, sedãs familiares inclusive.

Por enquanto, as escolhas de motor limitam-se a duas: a “básica” é um 4 cilindros em linha, com 2 litros e turboalimentado, com 200cv de potência, já utilizado no Golf GTI e outros modelos do grupo, acompanhada de caixa manual ou automática de 6 marchas. E há a interessante opção do V6 3.2, acompanhada de tração integral Quattro, com 250cv, semelhante ao que equipa o Golf R32. Essa motorização acompanha câmbio manual ou automático DSG com embreagem multidisco, ambos também com 6 marchas. Por aí, já se tem uma idéia do que esperar em termos de desempenho: A versão V6, com máxima limitada em 250 km/h (“problema” a ser logo resolvido pelas preparadoras de plantão), vai de 0 a 100 km/h em apenas 5,9s (5,7 com caixa automática). Tempo pra Porsche nenhum botar defeito.

Ainda não há previsão de preços ou data, mas com o prestígio que a Audi (e o TT em especial) têm no Brasil, certamente ele virá. Aguardaremos ansiosos por sua chegada.